Bourdieu - A Reprodução
1. da Vida e da Obra de Bourdieu; ponto de vista histórico como do ponto de vista teórico:
Sociólogo francês, dos anos 50, foi docente na École de Sociologie du Collège de France. Desenvolveu, ao longo de sua vida, diversos trabalhos abordando a questão da dominação e discutindo em sua obra temas como educação, cultura, arte, mídia e política. Também escreveu muito sobre a Sociologia da Sociologia.
O mundo social, para Bourdieu, era compreendido à luz de três conceitos fundamentais: campo, habitus e capital. E ao desenvolver, por exemplo a ideia de campo, Bourdieu dialoga com os textos de Weber e, ainda, com o conceito de classe social de Marx, onde podemos compreender que as lutas dos agentes determinam, validam, legitimam representações, é o poder simbólico. Mas será no âmbito do Capital que esta resenha se atentará, fundamentalmente.
2. dos pressupostos filosóficos à justificativas de suas posturas teóricas:
A Reprodução, obra que trás a linha de raciocínio critico sobre a ótica da dominação, trás questões acerca da Violência Simbólica (autoridade pedagógica) e Capital Cultural (mantenedor da ordem). Bourdieu resguarda a ideia de que a escola não é neutra, é vista como instrumento reprodutor do Estado arbitrário, injusta, e que não promove a igualdade de oportunidades. Ao passo que também não transmite da mesma forma determinados conhecimentos, a cultura das classes gerencia e domina esse instrumento. Em contra partida a escola, ao equalizar, tanto em direitos quanto em deveres aqueles que são diferentes socialmente, acaba privilegiando os que por sua herança cultural já são privilegiados, já está inserido num cultura elitizada.
3. Aproximação e associação das ideias:
Bourdieu descreve de forma crítica e analítica o exame na estrutura de ensino, e o caracteriza como um instrumento de seleção e classificação. Em análise aprofundada, no cenário escolar e suas relações sociais, Bourdieu posiciona-se, criticamente em todas as formas de dominação e de mascaramento da realidade social. Ele atenta ao funcionamento do sistema escolar que, ao invés de transformar a sociedade e permitir a ascensão social, ratifica e reproduz as desigualdades, através dessa ferramenta do Estado, a escola, ignorando as diferenças socioculturais, selecionando e privilegiando, em sua teoria e prática, as manifestações e os valores culturais das classes dominantes.
4. Conclusão
A meu ver, os valores incorporados nessa tese analisa rever a aprendizagem no âmbito escolar-social, mesmo num ambiente marcado pelo caráter de classe, desde a organização pedagógica até o modo como prepara o futuro dos alunos. Se o indivíduo é agente ativo que, embora não seja um sujeito transcendental, é criativo, porque/para que ele sofre a determinação das estruturas sociais e, ao mesmo tempo, faz parte determinante delas?
Visto isso, me questiono qual o papel do professor na sociedade atual? O sistema educacional está formando o professor para exercer efetivamente a função de educador? Ou mero reprodutor dessas desigualdades?
O educador pode e deve comprometer-se com a educação emancipadora, ou seja, aquela que torna o sujeito um ser crítico e transformador. A escola, o professor, o sistema e a própria cultura escolar precisam ser (re) avaliada e atualizada.

