A Margarida de Pachelbel, Canon em Ré


“A harmonia, a ciência e a virtude são as três concepções do Espírito; a primeira o extasia, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. Possuídas em suas plenitudes, elas se confundem e constituem a pureza. Ó Espíritos puros que as contendes! Descei às nossas trevas e clareai a nossa marcha; mostrai-nos o caminho que tomastes, a fim de que sigamos as vossas pegadas!” 
[Rossini]

Umas das mais belas melodias compostas é Canon em Ré de Pachelbel. Muito popular e é a eleita dos casamentos hoje em dia, por sua suave e doce melodia. Porque será? Eu me perguntei algumas vezes: Qual a importância ou reminiscência que trás essa melodia à alma humana? Por que é ela a eleita dos amores que consagram ao casamento Johann Pachelbel o seu compositor? Ah! Quem nunca se emocionou com uma melodia clássica não sabe o que é ter, mesmo que mínimo, o contato com a música celeste. Nosso dia a dia às vezes é tão corrido que deixamos de procurar a divindade, que nessa edição falaremos, na música.

Bom, em minhas pesquisas constantes nos textos de Léon Denis1, ele cita uma passagem de Platão que nos diz assim: “A música é uma lei moral. Dá alma ao universo, asas ao pensamento, saída à imaginação, encanto à tristeza, alegria e vida a todas as coisas. Ela é a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, e do qual ela é a forma invisível, mas, no entanto, deslumbrante, apaixonada, eterna.”- leiam mais uma vez ou algumas vezes, agora com mais calma essa frase de Platão - o que ela te faz sentir? Como ela penetra e faz sentido em seu cantinho mais sensível do coração? Já parou pra imaginar o porquê disso tudo?

Não conseguimos imaginar, mensurar, calcular a expansão e alcance dela. “Do Universo a Alma”, ou seja, do micro ao macro elemento ela alcança! E, além disso, é a principal causadora de prazer em nós. É responsável por colocar encanto na tristeza e dar mais azo a alegria e todas as formas virtuosas em que tentamos encaixar o Amor.

Seguindo adiante nas pesquisas podemos verificar quando Kardec2 ocupou-se desta temática, compreendendo que a Música, genuinamente de natureza espiritual, deva ter uma aplicação transcendental e não meramente para entretenimento terreno. Já Rossini3 trás que a boa criação musical é uma carta de amor que encantará àquele que a ler. Em contrapartida, a composição vulgar esparge o perfume da malícia, do rancor, da desonra. Ela sobrecarrega seu receptor e infama o Pai Celeste. Por fim a Música entoa aquilo que ao coração preenche. Se em nosso planeta essa carga de sentimentos de que se compõe uma música pode ser falseada ou mal reproduzida, no mundo espiritual isso não é possível, pois a transmissão é de alma para alma, sem auxílio de instrumentos rudes e limitados.

Ouça essa margarida de Pachelbel, como um presente a você! Experimente girar com “frequência em torno dos mundos” que purificam a atmosfera de onde você se encontre! Ouça mais aos grandes nomes do “lirismo musical”. Denis nos revela mais: “Quando partem de um ponto diferente, essas correntes se revestem de cores distintas que podem se confundir e determinar uma dupla sensação. Assim se explica o que lhes disseram certos espíritos, que falam que no espaço ‘ouvem-se liras vibrando’”.

Comparada à prece, a música erudita e elevada amplia a relação da criatura com o Criador. E não somente é através do objeto que a produz que percebemos a música ela se distingue das outras artes no instante em que ela proporciona um delicioso carinho em nossas mentes inquietas e nos embala em seu ritmo doce e meigo, fascinante e ao mesmo tempo Divino. Somos obra de Deus, tudo o que realizamos, seja encarnado ou desencarnado, está colaborando na Obra Maior: a Harmonia, essencialmente moralizadora, onde as almas se elevam e se engrandecem.

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