Da Rainha, do Barro e do Amor
“Tenham piedade daqueles que não ganharam o reino dos céus e ajudem-nos
com suas preces, porque a prece aproxima o homem do Altíssimo, é o traço de união
entre o céu e a Terra. Não o esqueçam!”(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.II item 8)
A alma Humana é o barro raro que Deus criou para conseguir alcançar novos degraus na evolução, mas esse barro ainda está envolvido nas brutas paixões, nas lamas de seu próprio egoísmo. Chega um dia que o véu da vida terrena se desfaz diante da realidade espiritual, da imortalidade de sua existência, fazendo com que seu desejo por perfeição, pelo belo, pelo útil e o bom sejam suas metas a alcançar. Chega um dia que o espírito, vindo das mais turbulentas experiências, sonha com seu estado ainda bruto se transformar em um vaso lapidado pelas mãos do Oleiro da Vida, Deus. As mãos que metaforicamente trazemos são as suas Leis.
Uma rainha, um plebeu, um advogado, um gari, uma domestica, um ator, um presidente, eu e você. O que têm em comum senão sermos filhos de um mesmo Pai? Que condição niveladora nos coloca na posição de irmãos? A resposta acertadamente é dizer que as Leis Divinas nos equalizam na senda, na estrada da vida. Em Mateus (25 – 40) Jesus nos diz que “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”. E quando somos nós os pequenos? Os que possuem dores, dúvidas, desejos? Falar das Leis Divinas é lembrar a máxima do Cristo quando um escriba o questiona de qual seria o primeiro mandamento e Jesus responde tranquilo sendo amar a Deus em primeiro lugar, pois não amá-Lo seria não submeter-nos as suas leis e não a submissão, obediência é permanecer na ignorância dessas leis.
Aqui na Terra entendemos submissão de forma muito egoísta e autoritária. Jesus era submisso, obediente as Leis do Pai e por isso, por compreender a Grandiosa Lei, foi ele o portador da mensagem chamada Amor. Quando pronunciou essa palavra uma melodia embalou o entardecer, enquanto suave brisa envolvia aqueles que ali estavam. O mestre prosseguiu dizendo ser o segundo mandamento amar ao próximo como a si mesmo. A Sua revolução igualava todos os seres no amor. Rainhas, plebeus, advogados, garis, domesticas, atores, presidentes, eu e você possuímos no amor ao próximo um lugar comum, nivelador. Amar sem egoísmo, sem o desejo de acumular, porém viver para repartir; sem a paixão da posse, mas com o sentimento de libertação, amar o próximo, conforme Deus nos ama, sempre. E foi isso que a Rainha de França, do Evangelho Segundo o Espiritismo, começou a enxergar, a ver claramente. Que “O amor é sustento da vida, por ser de origem divina e ter finalidade humana.” E quando entendemos a nossa finalidade, amar, nos permitimos a muito mais que supomos fazer. A magia envolvente dessa palavra, amplia os horizontes, as pessoas colhem as sementes de luz lançadas a muito tempo atrás pelo Mestre. E a partir do momento que realmente abraçamos esse verbo como Verdade, como elemento essencial para ser vasos esculpidos das mãos, leis, de Deus não mais sombras percebemos; compreendemos os meios de que devemos utilizar em quaisquer situações.
“Nunca revidar ao mal - amar.
Jamais ceder ao crime - amar.
Não desistir - amar.
Maltratados, e amando.
Incompreendidos, porém amáveis.”
(Amélia Rodrigues – Dias Venturosos)
Isa Santos

